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Saída de empresas da Rússia mostra que busca por lucro não se sobrepõe a valores

Apesar de prejuízo, companhias preferem defender reputação e mostrar repúdio à invasão à Ucrânia


A guerra da Rússia contra a Ucrânia repercute, de maneira indireta, nos negócios. Desde que o exército de Vladimir Putin invadiu o país vizinho, dezenas de empresas deixaram de operar em território russo em um claro sinal de repúdio à guerra, de defesa de seus valores e de sua reputação em escala global.


Algumas organizações desistiram dos negócios na Rússia antes mesmo das sanções econômicas impostas por Estados Unidos e União Europeia ao país. No entanto, quando essas determinações foram divulgadas, a debandada do país foi intensificada.


“No fundo, essa saída da Rússia é uma saída muito mais filosófica. Porque o mundo inteiro está olhando e não está aceitando a guerra. Se a empresa mantém um relacionamento comercial com alguém que efetivamente está fazendo mal para o mundo, acaba contrário a valores importantes do seu negócio”

analisa Thomas Eckschmidt, um dos autores de “Ativador de Negócios Conscientes: Aplicando os fundamentos do capitalismo consciente em sua organização” (Editora Conscious Business Journey, 2020).


“A empresa existe para ganhar dinheiro a qualquer custo ou para fazer o bem e melhorar o mundo? Então, é uma mensagem que as empresas estão passando que não estão de acordo com isso [guerra na Ucrânia]”

acrescenta Thomas, que é palestrante da Spotlight.


A decisão de sair não implica nenhum ganho econômico. Todas essas empresas já haviam feito altos investimentos na Rússia para montagem de escritórios, galpões de fábrica, unidades de negócio e treinamento e contratação de funcionários. Pelo contrário. Muitas companhias somam perdas significativas com a saída do país. As companhias de petróleo são as mais atingidas.


Talvez o maior prejuízo seja da BP, empresa britânica, que abandonou participação de 19,75% na petrolífera russa Rosneft. Essa resolução pode custar perdas de mais de US$ 25 bilhões à companhia.


Já a Shell deixou dois projetos altamente rentáveis na Rússia. A empresa detinha participação de 27,5% da Sakhalin 2, usina de gás que produz 11,5 milhões de GNL (gás natural liquefeito) por ano, com exportações para mercados importantes, como China e Japão. O negócio é operado pela Gazprom, gigante russa do setor. A multinacional também deixou investimento no gasoduto Nord Stream 2, projeto rejeitado pela Alemanha por causa da guerra na Ucrânia. Somando os dois projetos, o prejuízo da Shell deve chegar a US$ 3 bilhões.


Saída de empresas da Rússia mostra que busca por lucro não se sobrepõe a valores defendidos pelas organizações - Foto Reprodução/ @mcdonalds_rus

Mais conhecidas do consumidor, gigantes do varejo também paralisaram suas atividades no país. Foi o caso do McDonald’s que fechou temporariamente as 850 unidades de restaurantes fast food que mantinha na Rússia. A PepsiCo., por sua vez, suspendeu a venda de suas principais marcas (Pepsi, 7up e Mirinda) no país. A Coca-Cola divulgou decisão similar à concorrente e paralisou as operações em território russo.


"Nossos corações estão com as pessoas que estão resistindo a efeitos inaceitáveis desses trágicos eventos na Ucrânia"


divulgou a multinacional de bebidas em comunicado oficial.


Para o consultor Rodolfo Gutilla, que atua no campo da comunicação organizacional e da sustentabilidade há quase três décadas, a saída da Rússia mostra que as empresas estão inseridas em um ecossistema que vai muito além de seus galpões internos.



“Se você olhar, a empresa possui a cadeia produtiva, comercial, de relacionamento, de negócios institucionais ... É um ecossistema gigante. Ela tem que prestar contas não só para os shareholders [acionistas], mas para todos os seus stakeholders”

analisa Rodolfo, que é palestrante da Spotlight.


O consultor lembra da carta publicada neste ano por Larry Fink, CEO da BlackRock, maior gestora de fundos do mundo, com US$ 10 trilhões sob seu guarda-chuva. No documento, divulgado anualmente pelo executivo, Fink destaca o capitalismo de stakeholder como um acelerador de mudanças.

“As empresas trabalham para criar valor para todos os seus stakeholders, não só aos shareholders. Isso é muito poderoso, forte. Estamos falando de um cara que tem trilhões de dólares depositados sob sua confiança”, destaca Rodolfo.





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